PUBLICAÇÕES

 
    JORNAL DIGITAL DOS MEMBROS, ALUNOS E EX-ALUNOS
    61 Novembro 2021  
 
 
  editorial 
 

Quilombo dos Palmares no mapa da
capitania de Pernambuco, 1647. Frans Post.

Quilombo: associação negra para resistência, mas também para a criação de mundo. Sobre a promessa dessa cartografia do comum se assenta a alegria em publicar a 61ª edição do jornal digital do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

Dedicado a circular atos de palavra que recriam e expandem nossa comunidade, o Boletim Online aqui tematiza as relações entre Psicanálise e lutas raciais - essas lutas que, para resistir à asfixia, hoje expõem a cidade a Um Brasil para os brasileiros, Olhares inspirados e outras Ocupações, Arte indígena contemporânea, Enciclopédia negra. Para isso, destaca movimentos em busca de forma, isto é, os afetos que circulam na composição de boas possibilidades de vida entre nós.

Então viemos comemorar, enquanto ainda podemos! Porque é preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer e tudo fazer para exaltar serenamente a liberdade com que Carlos Marighella (1911-1969) nomeou dois de seus poemas - Liberdade e Rondó da liberdade - cujos versos aqui condensamos.

Feito o poeta, não ficaremos só no campo da arte e invocaremos os movimentos de nossa experiência psicanalítica, não desenraizada, disponível a remapear genealogias em uma reestruturação sem fim. Sublinhamos este sentido de ligação afirmativa ao escutar as vozes de grupos e sujeitos que, em nossa associação de analistas, nos permitiram transitar das questões de 2012 em torno do racismo e o negro no Brasil à proposta de aquilombamento afetivo pactuada neste 2021.

Assim o leitor acompanha a atualidade dos registros de trabalhos empreendidos pelo Grupo de Trabalho A Cor do Mal-Estar e por seus integrantes; seus antecedentes - Maria Lúcia da Silva e o curso Clínica Psicanalítica: Conflito e Sintoma, os deslocamentos do Coletivo Escutando a Cidade, a abertura à transmissão do pensamento de Franz Fanon na história da psicanálise ontem e hoje; sua sustentação, através da Incubadora de Ideias e de nossa representação no Sedes, pela Assembleia de membros que aclamou o Ato fundante da Política de Reparação no Departamento de Psicanálise; seus desdobramentos vários: por uma política de cotas; admissão de novas colegas negras; apresentação latinoamericana em mesa FLAPPSIP; monografias de alunos; entrevista de Percurso; dossiê antirracista, biblioteca digital e matérias da seção Decolonial em nosso Boletim; crônicas da branquitude; poemas e excertos editoriais de amigos do Departamento.

Para buscar, no próprio cotidiano, a raiz barthesiana de Sapientiae: nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria e o máximo de sabor possível .

Boas leituras! Com abraços da

Equipe editorial

Camila Flaborea, Carmen Alvarez, Cristina Barczinski, Daniela Athuil,
Fernanda Almeida, Mario Pablo Fuks e Sílvia Nogueira de Carvalho.



 
    ESCRITOS
 

Foto de Willian Vieira.


 
 
Poder preto.
Nem morte, nem silêncio, nem esquecimento. A força da Ancestralidade na poesia de Erivelton Amaro.

Porque o racismo é estruturalmente estrutural.
Mesmo que o racismo se mostre ou se esconda, a palavra o encontra: estrutural. Um convite à luta, à manifestação, ao estudo e à transformação, no lindo escrito de Vulgo Elemento.

 
    MAL-ESTAR NA CIDADE
 
  Não são invisíveis: são corpos negros.
A cor da invisibilidade: problematizações sobre o que torna o racismo estrutural, por Fernanda Almeida.

 

Mural de Mauro Neri na rua da Consolação. Foto de Fernanda Almeida.


 
 
    PSICANÁLISE E POLÍTICA
 

Geografia = Guerra, 1991. Foto de Sílvia Nogueira de Carvalho de Lamento das imagens, Alfredo Jaar, 2021.


 
 
Letramento em três tempos.
A margem como espaço de resistência e possibilidade. Um testemunho de Anne Egídio.

Criar e profanar dispositivos: uma narrativa da história.
Heidi Tabacof relata o trabalho de sustentação política da Incubadora de Ideias para a construção de uma aliança interracial no Departamento de Psicanálise.

Racismo naturalizado, trauma invisibilizado.
A violência do racismo estrutural afeta, mesmo que de forma diversa, a saúde mental de todos os cidadãos, por isto é preciso que a clínica psicanalítica integre os fatores sociais, raciais, históricos na escuta de seus pacientes. Por Marisa Corrêa da Silva.

Desalienação: comentário para uma proposição antirracista.
A escuta psicanalítica deve levar em conta efeitos traumáticos sobre o psiquismo, no entrecruzamento da pequena e da grande história. Um escrito de Paula Francisquetti.


 
    CRÔNICAS DA BRANQUITUDE
 
  Itaúna: um testemunho, uma homenagem.
Maria Silvia Borghese deixa ver uma fresta de memória e ressignifica os afetos de sua branquitude.

 

Arte de Juracy Giovagnoli.


 
 
    NOTÍCIAS DO DEPARTAMENTO
 

Foto de Nair Benedicto.


 
 
Proposição de Aquilombamento Afetivo.
GTACME apresenta metodologia experimental de letramento racial em ciclo de oficinas a ser oferecido à comunidade do Departamento de Psicanálise.

Racismo: um trauma coletivo não considerado.
Conheça o trabalho que representou o Departamento de Psicanálise no XIX Congresso Internacional do Centro de Psicoterapia Psicanalítica de Lima. Por Marisa Corrêa da Silva.

Sobre a apresentação pública de Maria Aparecida Miranda.
A comissão de admissão celebra, junto à comunidade do Departamento de Psicanálise, a chegada de Miranda. O racismo considerado na clínica e as ações afirmativas iniciando sua colheita!

 
   

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A AGENDA COMPLETA DO BOLETIM ONLINE  DESTE
2o SEMESTRE DE 2021.
Confira a chegada de 4 novas membros no Departamento: Paula Peron, Maria Miranda, Luciana Mannrich e Anne Egidio!

 
 
    NOTÍCIAS DOS CURSOS
 
  Passado colonial, presente traumático: o racismo sob o olhar da psicanálise freudiana.
Para pensar conflitos e sintomas e dar um corpo de palavras à luta contra a violência colonial: registro dos percursos de Roberta Veloso em nosso Departamento.

  Uma reflexão psicanalítica acerca do trauma colonial.
Um convite de Camila Makhoul aos deslocamentos: ao invés de apagamento, afirmação; ao invés de esquecimento, transmissão de uma história coletiva; ao invés de alienação, enfrentamento.

 

Saturno. Foto de Arthur Macfadem.


 
 
    O MUNDO, HOJE
 


 
 
Virilismo, um fragmento.
Mbembe tensiona as relações entre falo, patriarcado e colonização, convocando-nos a encarar o espelho violento no qual fomos forjados. Por n-1 edições.

 
    EDUCAÇÃO
 
  Ilú Obá de Min, afrobetização e a experiência de letramento.
Educação básica para o antirracismo: escutar o tambor, deixar de falar para deixar-se afetar, abrir espaço para ter cabimento. Por Daniela Athuil.

 

Ilú Obá de Min, carnaval de 2019. Foto de Daniela Athuil.


 
 
    SERVIÇOS
 

Silk couch cover, 1938. Carmel Wilson.


 
 
ACERVO ONLINE PARA UMA POLÍTICA DE REPARAÇÃO NO DEPARTAMENTO DE PSICANÁLISE
De 2012 a 2021, memória da multiplicidade de corpos e palavras na construção de um Departamento antirracista.


 
 

 

 


Equipe Editorial:
Camila Flaborea, Carmen Alvarez, Cristina Barczinski, Daniela Athuil, Fernanda Almeida, Mario Fuks e Sílvia Nogueira de Carvalho, com a colaboração de Déborah de Paula Souza, Rubia Delorenzo e Tide Setúbal.

Os textos deste Boletim Online podem ser utilizados em outras mídias, desde que incluídos os créditos originais a este jornal e a seus autores.

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    Departamento de Psicanálise - Sedes Sapientiae
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