Introdução
A dor representa um grande desafio na prática clínica, independentemente de sua natureza ou origem, pois, muitas vezes, ela não pode ser quantificada por exames e depende da percepção subjetiva do paciente. Isso é particularmente verdadeiro para a fibromialgia, na qual a questão central não é simplesmente a dor, mas também a sua apresentação anormal (Costa; Lang, 2016).
O termo fibromialgia foi introduzido por Hench, em 1976, e no ano seguinte, em 1977, Smythe e Moldofsky sugeriram critérios para seu diagnóstico (Slompo; Bernardino, 2006). Foi reconhecida pela OMS em 1992, sob a identificação M 79.7 na Classificação Internacional das Doenças (CID) (Besset et al., 2010).
Segundo Guimarães (2011), o caráter de dor itinerante, invisível ao olhar médico e hermética às suas intervenções, desafia o discurso da ciência, evidenciando a existência de um corpo que fala de algo para além do orgânico. Assim como na histeria para Freud, esses pacientes, na sua grande maioria mulheres, apresentam sintomas físicos que não podem ser explicados fisiologicamente (Slompo; Bernardino, 2006).
O conceito mais recente afirma que a fibromialgia é uma síndrome clínica cujas principais características incluem dor musculoesquelética difusa, fadiga, distúrbios do sono e distúrbios cognitivos (Costa; Lang, 2016).
Observou-se uma prevalência de fibromialgia em 2,5% da população, sendo a maioria dos casos em mulheres, das quais 40,8% tinham entre 35 e 44 anos (Senna et al., 2004). Esses dados destacam a predominância dessa síndrome entre as mulheres, o que pode associar a fibromialgia ao feminino (Campos; Costa, 2003) e à histeria (Slompo; Bernardino, 2006).
Para Costa e Lang (2016), é essencial integrar, no tratamento da fibromialgia, abordagens não farmacológicas às intervenções farmacológicas, pois não existe um regime medicamentoso único ou combinado que consiga proporcionar um tratamento completo e eficaz, como a psicoterapia e uma abordagem multidisciplinar, amplamente aceita na maioria dos estudos médicos, sendo destacada no recente Consenso Brasileiro de Tratamento da Fibromialgia (Heymann et al., 2010).
Em ambientes hospitalares, o atendimento psicológico de pacientes com dores crônicas, como a fibromialgia, desempenha um papel crucial na melhoria da qualidade de vida e na gestão da dor. Estudos indicam que, além do tratamento médico convencional, é essencial fornecer suporte psicológico para abordar os aspectos emocionais e subjetivos associados à dor crônica. O acolhimento e a escuta psicanalítica são fundamentais para promover uma relação mais saudável com o sofrimento, ajudando os pacientes a entenderem e ressignificarem sua experiência de dor. Esse processo, por sua vez, contribui para uma adesão mais efetiva ao tratamento médico e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes (Slompo; Bernardino, 2006).
Freud, sob a influência de Charcot, tomava a histeria como uma "doença por representação", que seria causada pela ação patogênica de uma representação psíquica de uma ideia inconsciente e intensamente carregada de afeto que estava reprimida. Diante dessa afirmação, no decorrer de seus estudos, Freud percebeu que o sintoma físico era reflexo de um processo mental que há muito estava reprimido (Slompo; Bernardino, 2006).
Devido a esses fatos, Freud propôs-se a escutá-las, a partir da seguinte constatação: "Como se houvesse a intenção de expressar o estado mental através de um estado físico; e o uso linguístico fornece uma ponte pela qual isso pode ser efetuado" (Freud, 1895/2006).
Assim, o objetivo deste estudo foi, através de um levantamento da literatura, apresentar um breve panorama das publicações científicas disseminadas em diversos meios latino-americanos que abordam a fibromialgia e sua possível relação com a histeria no contexto da teoria psicanalítica. Especificamente, buscamos responder à seguinte questão orientadora: Quais dados são possíveis de se extrair da literatura já publicada sobre a relação entre fibromialgia e histeria?
Metodologia
Tendo em vista o objetivo do presente estudo, fizemos um levantamento bibliográfico a partir de uma revisão crítica de literatura, em que foram encontrados 852 artigos indexados em periódicos nacionais e internacionais, e removidos 523 artigos por duplicata. Após a leitura dos títulos e resumos, restaram 83 artigos, dos quais 18 foram lidos na íntegra, após exclusão por critério. Além disso, foram incluídos cinco livros e uma tese para o aprofundamento no tema da histeria nos dias de Freud e hoje.
Para a busca dos estudos, realizada pela internet no período de julho e agosto de 2024, a partir da inserção do descritor "fibromialgia" e "histeria", utilizaram-se as seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs); Periódicos Eletrônicos em Psicologia (Pepsic); Scientific Eletronic Library Online (Scielo); e Medline da US National Library of Medicine via PubMed. É importante destacar que, para possibilitar um levantamento bibliográfico amplo, optamos por uma busca simples, já que verificações preliminares mostraram que o cruzamento de descritores seria muito restritivo.
A princípio, os estudos foram selecionados com base no título, sem restrições de período ou idioma; em seguida, foram avaliados pelo resumo e, por fim, com leitura de forma independente, pelo texto completo, o qual foi submetido a uma avaliação crítica e à extração dos resultados relacionados aos desfechos.
Essa revisão literária teve como objetivo contribuir de maneira crítica para o debate sobre a interseção entre fibromialgia e histeria, sem a pretensão de fornecer uma análise conclusiva sobre um tema de tal complexidade. A seleção dos 18 artigos incluídos nessa revisão foi organizada em quatro categorias: (1) Comparação entre fibromialgia e histeria; (2) Comparação entre fibromialgia e neuroses atuais; (3) Corpo, dor e sintoma na psicanálise e na medicina; e (4) Transformações culturais desde a época de Freud até os dias atuais. Essa divisão foi criada com o intuito de proporcionar uma ampla discussão sobre o assunto, que será descrita abaixo.
Na Tabela 1, estão listados os artigos, a tese e os livros utilizados na elaboração deste estudo, organizados por autor, ano de publicação, título e fonte, somando 24 obras no total, que foram lidas e analisadas integralmente.
Tabela 1: Mapeamento dos estudos
| Autor | Ano de publicação | Título | Fonte |
| ALMEIDA, K. C.; BRAGA, S. | 2024 | A performatividade de corpos femininos que não se calam: as indexicalizações da fibromialgia | Linguagem em (dis)curso, v. 24, e-1982-4017-24-13. Fonte: Artigo |
| BENNETT, R. M. | 1993 | Fibromyalgia and the facts. Sense or nonsense | Rheumatic Diseases Clinics of North America, v. 19, n. 1, p. 45-59. Fonte: Artigo |
| BESSET, V. L. et al. | 2010 | Um nome para a dor: fibromialgia | Revista Subjetividades, v. 10, n. 4, p. 1245-1269. Fonte: Artigo |
| CAMPOS, A. C. L.; COSTA, M. E. P. | 2003 | Sofrimento e dor no feminino. Fibromialgia: uma síndrome dolorosa | Psychê, v. 7, n. 12, p. 97-106. Fonte: Artigo
|
| COSTA, D. S.; LANG, C. E. | 2016 | Histeria ainda hoje, por quê? | Psicologia USP, v. 27, n. 1, p. 115-124. Fonte: Artigo |
| COSTA, M. L. F.; FERREIRA, R. W. G. | 2019 | Não há neurose sem corpo: um estudo sobre o lugar do corpo na histeria e na neurose obsessiva | Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 22, n. 2, p. 254-261. Fonte: Artigo |
| DESANTANA, J. M.; SOUZA, A. C. de F.; SANTOS, J. E. C. | 2023 | Does fibromyalgia have a solution? | BrJP, v. 6, n. 2, p. 103-104. Fonte: Artigo |
| FORTES, I.; WINOGRAD, M.; MEDEIROS, C. | 2015 | A dor crônica entre o silêncio e o grito | Tempo psicanalítico, v. 47, n. 2, p. 9-28. Fonte: Artigo |
| FREITAS, E. P. de; PERES, R. S. | 2017 | A fibromialgia sob a ótica psicanalítica: um breve panorama | Polêm!ca, v. 17, n. 1, p. 001-015. Fonte: Artigo |
| FREUD, S.
| 1895/2006 | Estudos sobre a histeria | Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro: Imago. v. II. Fonte: Livro |
| FREUD, S. | 1896/1996 | A etiologia da histeria | Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro: Imago. v. III.
Fonte: Livro
|
| GUIMARÃES, I. D. C. | 2011 | Psicanálise e dor: O que (re)vela a fibromialgia | Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade de Fortaleza, 2011. 144 f. Fonte: Tese |
| HEYMANN, R. E. et al. | 2010 | Consenso brasileiro do tratamento da fibromialgia | Revista Brasileira de Reumatologia, v. 50, n. 1, p. 56-66. Fonte: Artigo |
| LACAN, J. | 1966/1998 | Escritos | Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Fonte: Livro
|
| LIMA, C. P.; CARVALHO, C. V. de. | 2008 | Fibromialgia: uma abordagem psicológica | Aletheia, v. 28, p. 146-158. Fonte: Artigo |
| LEITE, A. C. C; PEREIRA M. E. C. | 2003 | Sofrimento e dor no feminino. Fibromialgia: uma síndrome dolorosa | Psyche, ano VII, P. 97-106 Fonte: Artigo |
| MARTINEZ, J. E. | 2014 | Fibromyalgia and the old dilemma: theory vs. practice | Psychology & Neuroscience, v. 7, n. 1, p. 9-14. Fonte: Artigo |
| MELMAN, C. | 2003 | Novas formas clínicas no início do terceiro milênio | Porto Alegre: CMC. Fonte: Livro |
| MORETTO, M.L.T. | 2001 | O que pode um analista no hospital? | São Paulo: Casa do Psicólogo. Fonte: Livro |
| OLIVEIRA, M. D. S. V. D.; WINTER, C. F. C. | 2019 | Manifestações da histeria na contemporaneidade | Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 22, n. 3, p. 353-361 Fonte: Artigo |
| ROCHA, T. H. R.; JESUS, L. M. | 2021 | Fibromialgia: impasses da demanda para a clínica psicanalítica | Psicologia Clínica, v. 33, n. 3, p. 467-486. Fonte: Artigo |
| SANTOS, N. A.; RUDGE, A. M. | 2014 | Dor na psicanálise – física ou psíquica? | Revista Latinoamericana De Psicopatologia Fundamental, v. 17, n. 3, p. 450-468. Fonte: Artigo |
| SILVA, T. A. D. da; RUMIM, C. R. | 2012 | A fibromialgia e a manifestação de sofrimento psíquico | Revista Mal-Estar e Subjetividade, v. 12, n. 3-4, p. 767-792. Fonte: Artigo |
| SLOMPO, T. K. M. e S.; BERNARDINO, L. M. F. | 2006 | Estudo comparativo entre o quadro clínico contemporâneo "fibromialgia" e o quadro clínico "histeria" descrito por Freud no século XIX | Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 9, n. 2, p. 263-278. Fonte: Artigo |
| WOLFE, F. | 1986 | The clinical syndrome of fibrositis | The American Journal of Medicine, v. 81, n. 3A, p. 7-14. Fonte: Artigo |
Comparação entre fibromialgia e histeria
Campos (1992) sugere que a expressão corporal é o primeiro e mais primitivo meio de comunicação e defesa disponível ao ser humano. Tanto a histeria quanto a fibromialgia compartilham a característica de manifestarem um sofrimento que, apesar de intenso, não tem uma correspondência orgânica clara, expressando-se através do corpo. O caráter enigmático e estranho desse sofrimento, que parece buscar um interlocutor, aliado à plasticidade dos sintomas histéricos e à complexidade das identificações envolvidas, fortalece a hipótese de uma possível relação entre as duas condições.
Podem-se destacar, assim, os sintomas comuns apresentados no quadro clínico "fibromialgia" e no quadro clínico "histeria": angústia, choro, depressão, distúrbio do andar, dor de cabeça, espasmos, fadiga, insônia, nevralgia, parestesia e tremores (Slompo; Bernardino, 2006).
Os estudos epidemiológicos sobre a fibromialgia evidenciam uma expressiva predominância do sexo feminino. Wolfe (1986) descreve que entre 73% e 88% dos casos ocorrem em mulheres, com início médio dos sintomas entre 29 e 37 anos e diagnóstico entre 34 e 57 anos. Em investigação multicêntrica, o mesmo autor observou que 89% dos pacientes diagnosticados eram mulheres e, em 25% dos casos, os sintomas dolorosos já se manifestavam desde a infância (Wolfe, 1986). Tal dado encontra paralelo nos estudos freudianos sobre a histeria, uma vez que a maior parte de seus casos clínicos era composta por mulheres, que apresentavam sintomas somáticos sem explicação orgânica, mas que se revelavam como expressões de processos psíquicos reprimidos (Freud, 1895/2006).
Nesse sentido, uma das aproximações possíveis entre a fibromialgia e a histeria freudiana reside em seu predomínio no sexo feminino. Como destacam Campos e Costa (2003), a maior incidência da fibromialgia em mulheres jovens remete à constatação de Freud de que os quadros histéricos se manifestavam, em sua maioria, em pacientes do mesmo perfil. Todavia, conforme assinalam Slompo e Bernardino (2006), trata-se de contextos históricos distintos: as pacientes contemporâneas com fibromialgia não podem ser equiparadas às histéricas do final do século XIX, dado que a posição social da mulher e a vivência da sexualidade se transformaram significativamente desde então. Essa diferenciação, contudo, será aprofundada ao longo do presente trabalho.
Para Guimarães (2011), outro ponto em comum das duas patologias é o descrédito que ambas inicialmente provocaram e ainda provocam frente aos médicos. Pois a histeria funciona como calcanhar de Aquiles da medicina, na medida em que revela a impotência do saber médico, apesar de todos os seus avanços. E a fibromialgia também surge causando um estranhamento parecido, exatamente por impor um corpo aprisionado em uma dor invisível ao olhar médico, itinerante, que desafia o discurso da ciência, evidenciando a existência de um corpo para além do orgânico. Podemos dizer, então, que a fibromialgia surge, dentre outras manifestações, como uma maneira de (re)velar no corpo aquilo que não pode ser expresso em palavras.
No caso da fibromialgia, sabe-se que a análise deve apoiar a enunciação do sujeito em sua tentativa de construir uma teoria pessoal, um saber para sua dor, bem como possibilitar que essas manifestações somáticas não elaboradas se transformem em enigma para o sujeito. Essas manobras, apesar de profícuas, tornam-se um desafio na clínica com pacientes que têm diagnóstico de fibromialgia, devido às dificuldades iniciais em articular uma demanda que permita o desenvolvimento do trabalho. Torna-se complexo e necessário compreender a relação do sujeito com essa patologia (Fernandes et al., 2016), assim como Freud (1896/1996, p. 189) descreve seu método de investigação anamnésica: "a que influências danosas os próprios pacientes atribuem seu adoecimento e o desenvolvimento desses sintomas?".
Esses impasses fazem com que a comunidade médica reconheça a existência de algo que ultrapassa seus referenciais de conhecimento. Diante disso, o médico se depara com um campo que o desafia e o convoca à produção de novos saberes. Surge, então, a necessidade de constituir uma clínica ancorada em uma "outra cena", que vá além da dimensão puramente fenomenológica. Nesse processo, também emergem desafios para os psicanalistas, que, muitas vezes, percebem que o lugar atribuído a eles não corresponde ao espaço que de fato ocupam. A prática revela que, em diversas situações, se espera do psicanalista uma postura pedagógica e conivente com um saber totalizante, posição que contraria os princípios da psicanálise. Em "Psicoanálisis y Medicina", Lacan (1966/1998) define esse impasse como uma "Falha Epistemo-Somática", expressão que traduz as consequências do fracasso da ciência, das pesquisas de base empírica e da indústria farmacêutica na relação do médico com o corpo do paciente. Segundo Lacan (1966/1998), aquilo que a ciência exclui do corpo retorna sob a forma de sintoma, pois no corpo oferecido ao olhar médico coexistem tanto prazer quanto dor. Trata-se, portanto, de uma falha da ordem psíquica, em que a subjetividade encontra no corpo uma via de expressão. O próprio termo Epistemo remete, ainda, à dimensão científica dessa relação médico-paciente.
Quando o médico se vê diante de quadros enigmáticos e refratários, como a fibromialgia, que não se ajustam aos protocolos definidos pela medicina baseada em evidências e pelas pesquisas vinculadas à indústria farmacêutica, ele se percebe desarmado e deslocado de sua posição de mestre. Nesses casos, os diagnósticos atribuídos à fibromialgia vão desde "distúrbio neurovegetativo" até "crise histérica", "encenação" ou "piti", sendo esta última uma expressão que, conforme Moretto (2001), desqualifica o paciente e o desautoriza em sua condição de sujeito. É importante destacar que o ato médico, isto é, o diagnóstico, se constitui como possível dentro do discurso que lhe é próprio. Esse discurso, porém, tende a suprimir a subjetividade, privilegiando uma escuta seletiva restrita apenas aos elementos que favorecem a definição do prognóstico e da conduta terapêutica (Guimarães, 2011).
Assim, cabe à psicanálise instaurar um furo no discurso médico contemporâneo, classificatório e totalizante. Será, em um segundo momento, oriundo da atuação do psicanalista, que, através da construção de uma narrativa, possibilitará um questionamento a respeito da responsabilidade na causação de seus males. O padecer, a melancolia, a ansiedade e até o avanço da idade já não são tolerados, transformando-se em experiências vistas com vergonha (Guimarães, 2011).
Freud (1895/2006) partia da hipótese de que os pacientes histéricos apresentavam uma excitabilidade incomum do sistema relacionado à percepção da dor. De modo semelhante, Bennett (1993) descreveu a maior sensibilidade dos indivíduos com fibromialgia diante de estímulos dolorosos. Freud identificou, ainda, o papel central da sexualidade na etiologia da histeria, assim como as questões ligadas à feminilidade - aspecto que também se mostra pertinente na fibromialgia, considerando que cerca de 90% dos casos diagnosticados ocorrem em mulheres. Em 1896, ao se estabelecer em Viena com uma clínica voltada às doenças nervosas, Freud iniciou seus tratamentos de histeria com os métodos usuais da época, como hidroterapia, massagens e repouso. Diante da ineficácia dessas técnicas, recorreu à hipnose, mas gradualmente a abandonou em favor do método da associação livre, o que lhe permitiu ampliar sua compreensão dos processos psíquicos. No caso da fibromialgia, Bennett (1993) recomenda, além do tratamento medicamentoso, práticas como exercícios físicos, hidroginástica e caminhadas, sessões de relaxamento e, mais recentemente, a utilização da hipnose. Tal proposta remete às antigas prescrições médicas do século XIX, como a hidroterapia e a cura pelo repouso. Resta, porém, a questão: será que a hipnose também será deixada de lado, assim como aconteceu com Freud, cedendo lugar à "cura pela palavra"? Se a histeria se consolidou como entidade da psicanálise, poder-se-ia pensar a fibromialgia como um sintoma histérico atualizado em nossa contemporaneidade. No ambulatório em que se desenvolveu a pesquisa, mesmo diante de um modelo organicista e medicamentoso, notava-se o alívio dos médicos ao contar com o suporte de uma profissional da área de psicologia para acolher os pacientes que, apesar da prescrição em mãos, insistiam em falar, ou quando seus relatos traziam conteúdos demasiadamente dolorosos e impactantes. Assim, após examinar ambas as condições, cotejando sintomas, práticas médicas e a escuta clínica tanto nos casos descritos por Freud quanto nos encontrados no ambulatório de fibromialgia do Hospital das Clínicas, abre-se a hipótese de que a fibromialgia não se constitua propriamente como uma nova doença, mas como uma expressão histérica contemporânea (Slompo; Bernardino, 2006).
Comparação entre fibromialgia e neuroses atuais
Sob a perspectiva psicanalítica, alguns autores interpretam a dor crônica, como a observada na fibromialgia, como uma manifestação contemporânea do sintoma histérico (Slompo; Bernardino, 2006). Em contrapartida, outra linha de interpretação sugere que a dor crônica, nesses casos, não pode ser simplesmente reduzida a sintomas conversivos característicos da histeria (Zanotti et al., 2013). Assim, posicionam a fibromialgia em uma outra perspectiva, como podemos observar abaixo.
No contexto dessa segunda linha teórica, as dores em questão devem ser interpretadas de maneira distinta da perspectiva do sintoma histérico, uma vez que se manifestam diretamente no corpo, sem passar por uma inscrição simbólica. Sob essa ótica, a dor não se enquadra no domínio do recalque, do sintoma ou da elaboração psíquica, o que justifica a aproximação com o campo da compulsão à repetição e do material psíquico não assimilado simbolicamente. Nesses casos, nem o recalque nem a formação sintomática ocorrem, pois o recalque não é acionado diante de uma força pulsional que atinge um nível de tensão insuportável. Assim, a dor crônica é entendida como pertencente a uma dimensão que não corresponde à formação sintomática. Trata-se de um corpo onde a dor não é expressa através da via simbólica do sintoma, evidenciando uma limitação na elaboração verbal, o que faz com que a intensidade da dor emerja através do corpo, sem ser determinada pelos processos psíquicos de metáfora e metonímia, característicos do sintoma neurótico (Nicolau, 2008).
Porém, o que é de suma importância nas duas linhas teóricas é que, no tratamento da cronificação, não se trata simplesmente de fazer com que a dor desapareça, mas permitir que ocorra um deslocamento da função prévia da dor, como indicadora de perigo, para o surgimento de um sentido subjetivo para a mesma (Fortes; Winogrand; Medeiros, 2015).
Corpo, dor e sintoma na psicanálise e na medicina
Na prática médica, o corpo é considerado um foco constante de atenção, o que justifica a intervenção. Um sintoma é visto como uma "desordem" ou uma disfunção localizada em um órgão comprometido que precisa ser eliminada, pois resulta de uma doença. Entretanto, na psicanálise, o sintoma é entendido como uma construção de linguagem, desempenhando um papel significativo e estabelecendo uma conexão estreita com o sujeito e o conhecimento do inconsciente (Oliveira; Winter, 2019).
Pode-se observar que este (o médico) se comporta para com o histérico de modo completamente diverso que para com o que sofre de uma doença orgânica. Nega-se conceder ao primeiro o mesmo interesse que dá ao segundo, pois não obstante as aparências, o mal daquele é muito menos grave. Os histéricos ficam privados da simpatia dos médicos, pois esses os consideram transgressores das leis de sua ciência. (Freud, 1895/2006, p. 29)
Essa citação de Freud permanece extremamente relevante hoje em dia, pois os sintomas histéricos ainda são, em alguns casos, tratados com a mesma falta de empatia por parte de alguns médicos, assim como eram no final do século XIX.
Perante o exposto, pode-se concluir que, enquanto a psicanálise atribui o sintoma à verdade do sujeito, a noção de sintoma que opera pelo discurso médico faz silenciar a subjetividade (Rocha; Jesus, 2021).
Na psicanálise, segue-se uma lógica que busca conectar as especificidades de cada caso com as possibilidades e limitações daquilo que foi considerado uma hipótese diagnóstica, chamada de hipótese justamente porque não dispomos de ferramentas que possam oferecer confirmações definitivas. O diagnóstico psicanalítico fundamenta-se no uso da linguagem, no discurso do paciente, mesmo reconhecendo que esse discurso carrega uma dimensão de erro, de engano, de ocultação e revelação (Guimarães, 2011).
As patologias que, até então, não eram escutadas em sua dimensão subjetiva, sendo reconhecidas apenas como objeto do discurso médico, são acolhidas pela psicanálise. Nessa perspectiva, os diagnósticos que parecem carecer de sentido desafiam o saber teórico-clínico e convocam os psicanalistas a elaborar novas formas de compreensão e de formalização desses fenômenos (Rocha; Jesus, 2021).
Já a medicina identifica e descreve qualquer sintoma que uma pessoa possa experimentar ou imaginar que poderia sentir e, em seguida, prescreve medicamentos, excluindo a subjetividade do sujeito. Como se a angústia de existir se manifestasse como dor física e pudesse ser tratada e curada com um analgésico (Slompo; Bernardino, 2006).
Tendo isso em mente, para Santos e Rudge (2014), o conhecimento médico realiza o diagnóstico da fibromialgia através de um mapeamento anatomofisiológico do corpo e da doença. Parte do tratamento médico para esse desconforto inclui a prescrição de antidepressivos, entre outras abordagens que prometem alívio da dor. Isso resulta em uma medicalização indiscriminada da dor e do sofrimento, demonstrando que os pacientes não recebem um acolhimento psicológico adequado, o que os leva a experimentar um alívio temporário, decorrente da sensação de terem seu desamparo momentaneamente mitigado.
Transformações culturais desde a época de Freud até os dias atuais
Uma questão relevante a ser analisada diz respeito aos aspectos em que as pacientes atuais com fibromialgia diferem das histéricas descritas por Freud. Certamente, o perfil das mulheres que Freud ouvia não é o mesmo das mulheres dos tempos atuais. Mais de um século se passou desde então; nem a mulher ocupa a mesma posição social que ocupava no final do século XIX, nem a sexualidade se apresenta do mesmo modo que à época da repressão vitoriana (Slompo; Bernardino, 2006).
Supomos que, desde a época em que Freud começou a estudar e tratar a histeria, no final do século XIX, os discursos dominantes que circulavam na cultura sofreram alguma modificação. Tendo em vista que mudança é uma característica do progresso, no sentido de avanço dos tempos, os sintomas podem ter adquirido sentidos diferentes, ou mesmo aparecer de outras formas (Melman, 2003).
Leite e Pereira (2003) podem concluir que os sintomas evoluem tanto quanto outros aspectos da humanidade, e sua plasticidade é por vezes impressionante. Essa evolução impõe à psicanálise a necessidade de expandir seus métodos e sua complexa metapsicologia para novas áreas, a fim de não se isolar diante dos avanços, extremamente bem-vindos, da medicina. Para tanto, é essencial que a psicanálise esteja apta a escutar como as questões que afetam a alma são atualmente formuladas.
A partir do exercício crítico que aqui propusemos, compreendemos que a fibromialgia tem sido posicionada, por analogia, ao lado da histeria freudiana porque, assim como a sintomatologia identificada pelo inventor da psicanálise no século XIX, a síndrome da atualidade parece configurar-se como (e ter efeitos de) um discurso de resistência inconsciente.
O corpo fibromiálgico pode ser compreendido como um espaço de resistência frente aos discursos normalizadores que tentam enquadrá-lo em classificações médicas ou sociais. Por não se adequar plenamente aos parâmetros diagnósticos tradicionais, esse corpo coloca em crise o saber biomédico, revelando a insuficiência de uma leitura estritamente organicista para dar conta de sua dor. Nesse sentido, assim como ocorreu com a histeria nos estudos freudianos, a fibromialgia evidencia o fracasso dos discursos que buscam reduzir a experiência feminina a categorias estanques, pois seus sintomas denunciam que há algo na subjetividade que insiste em se expressar. Assim, o corpo fibromiálgico subverte a lógica do conformismo, na medida em que transforma a dor em linguagem, performando uma recusa silenciosa, mas eloquente, às formas de subjetivação impostas pelo poder social e cultural que recaem sobre as mulheres (Almeida; Braga, 2024).
Ao resistir às indexicalizações dominantes, a fibromialgia também desvela o modo como os discursos sociais sobre feminilidade e normatividade de gênero atravessam a experiência subjetiva das mulheres. O sintoma doloroso funciona como um marcador que aponta para tensões entre o corpo e os dispositivos sociais que tentam regulá-lo, revelando contradições e limites na constituição da subjetividade feminina. Dessa forma, o corpo fibromiálgico torna-se uma arena de disputa simbólica: ao mesmo tempo que é medicalizado e controlado, denuncia, em sua resistência, as condições de existência que ainda circunscrevem a mulher ao sofrimento e à dor como elementos constitutivos de sua identidade. Tal como sugerem Almeida e Braga (2024), trata-se de um corpo que não se cala, que se posiciona contra os discursos hegemônicos e, ao fazê-lo, convoca a psicanálise e os estudos do discurso a considerar o sintoma não como mera patologia, mas como um gesto de insubmissão e uma possibilidade de enunciação.
Por fim, para Lima e Carvalho (2008), a escuta psicanalítica tem uma função primordial na restauração da lógica que colocará em curso o movimento de associação necessário para desvendar o sofrimento envolvido na dor fibromiálgica. E pode contribuir em alguns aspectos para o desenvolvimento psíquico da paciente, promovendo a sua identidade como uma pessoa integral, abrindo outras possibilidades, além da doença, para sua vida e ajudando-a na melhora e no controle das dores da fibromialgia.
Considerações finais
A tentativa de silenciar o corpo representa, em essência, uma tentativa de calar questões fundamentais que exigem reflexão e análise. Desde o seu surgimento no século XIX, a psicanálise buscou respostas para o enigma da histeria, revelando um sujeito desejante, ávido por reconhecimento, que hoje parece estar relegado ao esquecimento. Em um tempo de pressa e de soluções tecnológicas rápidas, as questões existenciais, frequentemente, são negligenciadas. Nessa perspectiva, o corpo emerge como um alerta de que o funcionamento psíquico não se resume em anular sintomas ou atender a satisfações imediatas. Sem o vazio estruturante, não há espaço para o desejo, e o sujeito fica sem lugar.
O corpo, portanto, não pode ser simplesmente medicado ou ignorado. A psicanálise nos ensina que, no campo simbólico e por meio das palavras, o sujeito começa a compreender o que significa ter um corpo, viver sua sexualidade e encontrar seu lugar no mundo. Por isso, o sintoma não é só sinal de doença, mas uma tentativa do psiquismo de buscar organização e saúde. Portanto, ele não deve ser eliminado, mas compreendido em sua função subjetiva.
No caso da fibromialgia, podemos interpretá-la como um fenômeno que, em algumas situações, se insere em uma organização psicossomática ou histérica. Mas, além disso, ela nos convida a refletir sobre as diferentes formas de dor e sofrimento na experiência feminina. Os estudos de Freud sobre a histeria ainda ressoam hoje, representando um modo de expressão de uma feminilidade em crise, em que o desejo das mulheres de serem sujeitos de um discurso conflita com a posição imposta a elas.
É fundamental que pesquisas continuem explorando as interfaces entre medicina e psicanálise para compreender melhor o sofrimento feminino contemporâneo e o papel da subjetividade no tratamento de condições como a fibromialgia. A investigação contínua pode revelar novas perspectivas que integrem, de maneira crítica, as necessidades psicológicas dos pacientes aos cuidados médicos, promovendo um acolhimento mais completo e humanizado.
Diante do percurso realizado, podemos considerar que a fibromialgia pode ser pensada como a "histeria dos tempos atuais". Assim como a histeria descrita por Freud no final do século XIX, a fibromialgia apresenta sintomas que desafiam o saber médico e não encontram respaldo nos exames clínicos tradicionais. Ambos os quadros se inscrevem no corpo como manifestações de um sofrimento psíquico que não pôde ser simbolizado pela palavra, revelando-se por meio de dores, fadiga e outras expressões corporais enigmáticas. Nesse sentido, a fibromialgia atualiza, em sua especificidade, a lógica histérica: denuncia, através do corpo, algo do inconsciente que resiste às tentativas de silenciamento, convocando a psicanálise a sustentar uma escuta que vá além da mera eliminação do sintoma.
| voltar ao topo | voltar ao sumário |
![]() |
ano - Nº 7 - 2025publicação: 10-12-2025 |
ALMEIDA, K. C.; BRAGA, S. A performatividade de corpos femininos que não se calam: as indexicalizações da fibromialgia. Linguagem em (dis)curso, v. 24, e1982-4017-24-13, 2024.
BENNETT, R. M. Fibromyalgia and the facts. Sense or nonsense. Rheumatic Diseases Clinics of North America, v. 19, n. 1, p. 45-59, 1993.
BESSET, V. L. et al. Um nome para a dor: fibromialgia. Revista Subjetividades, v. 10, n. 4, p. 1245-1269, 2010.
CAMPOS, E. P. O paciente somático no grupo terapêutico. In: MELLO FILHO, J. de. (Org.). Psicossomática hoje. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1992. p. 371-384.
CAMPOS, A. C. L.; COSTA, M. E. P. Sofrimento e dor no feminino. Fibromialgia: uma síndrome dolorosa. Psychê, v. 7, n. 12, p. 97-106, 2003.
COSTA, D. S.; LANG, C. E. Histeria ainda hoje, por quê? Psicologia USP, v. 27, n. 1, p. 115-124, 2016.
COSTA, M. L. F.; FERREIRA, R. W. G. Não há neurose sem corpo: um estudo sobre o lugar do corpo na histeria e na neurose obsessiva. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 22, n. 2, p. 254-261, 2019.
DESANTANA, J. M.; SOUZA, A. C. de F.; SANTOS, J. E. C. Does fibromyalgia have a solution? BrJP, v. 6, n. 2, p. 103-104, 2023.
FERNANDES, C. O. et al. Biopolitics and pain: approximations between Foucault and Lacanian psychoanalysis. Psico-USF, v. 21, n. 1, p. 189-196, 2016.
FORTES, I.; WINOGRAD, M.; MEDEIROS, C. A dor crônica entre o silêncio e o grito. Tempo Psicanalítico, v. 47, n. 2, p. 9-28, 2015. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org. Acesso em: 6 ago. 2024.
FREITAS, E. P. de; PERES, R. S. A fibromialgia sob a ótica psicanalítica: um breve panorama. Polêm!ca, v. 17, n. 1, p. 001-015, 2017.
FREUD, S. (1895). Estudos sobre a histeria. In: FREUD, S. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro: Imago, 2006. v. II.
FREUD, S. (1896). A etiologia da histeria. In: FREUD, S. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. III.
GUIMARÃES, I. D. C. Psicanálise e dor: o que (re)vela a fibromialgia. 2011. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade de Fortaleza, Fortaleza, 2011. 144 f.
HEYMANN, R. E. et al. Consenso brasileiro do tratamento da fibromialgia. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 50, n. 1, p. 56-66, 2010.
LACAN, J. (1966). Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
LEITE, A. C. C.; PEREIRA, M. E. C. Sofrimento e dor no feminino. Fibromialgia: uma síndrome dolorosa. Psyche, v. VII, n. 12, p. 97-106, dez. 2003.
LIMA, C. P.; CARVALHO, C. V. de. Fibromialgia: uma abordagem psicológica. Aletheia, n. 28, p. 146-158, 2008. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org. Acesso em: 6 ago. 2024.
MARTINEZ, J. E. Fibromyalgia and the old dilemma: theory vs. practice. Psychology & Neuroscience, v. 7, n. 1, p. 9-14, 2014.
MELMAN, C. Novas formas clínicas no início do terceiro milênio. Porto Alegre: CMC, 2003.
MORETTO, M. L. T. O que pode um analista no hospital? São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.
NICOLAU, R. F. A psicossomática e a escrita do real. Revista Mal-Estar e Subjetividade, v. 8, n. 4, p. 959-990, 2008.
OLIVEIRA, M. D. S. V. D.; WINTER, C. F. C. Manifestações da histeria na contemporaneidade. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 22, n. 3, p. 353-361, 2019.
ROCHA, T. H. R.; JESUS, L. M. Fibromialgia: impasses da demanda para a clínica psicanalítica. Psicologia Clínica, v. 33, n. 3, p. 467-486, 2021.
SANTOS, N. A.; RUDGE, A. M. Dor na psicanálise - física ou psíquica? Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 17, n. 3, p. 450-468, 2014.
SENNA, E. R. et al. Prevalence of rheumatic diseases in Brazil: a study using the COPCORD approach. Journal of Rheumatology, v. 31, n. 3, p. 594-597, 2004.
SILVA, T. A. D. da; RUMIM, C. R. A fibromialgia e a manifestação de sofrimento psíquico. Revista Mal-Estar e Subjetividade, v. 12, n. 3-4, p. 767-792, 2012. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org. Acesso em: 6 ago. 2024.
SLOMPO, T. K. M. e S.; BERNARDINO, L. M. F. Estudo comparativo entre o quadro clínico contemporâneo "fibromialgia" e o quadro clínico "histeria" descrito por Freud no século XIX. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 9, n. 2, p. 263-278, 2006.
WOLFE, F. The clinical syndrome of fibrositis. The American Journal of Medicine, v. 81, n. 3A, p. 7-14, 1986.
ZANOTTI, S. V. et al. Aux limites de l'hystérie, la douleur chronique. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 16, n. 3, p. 425-437, 2013.