Este grupo tem por objetivo a pesquisa e o estudo sobre a questão título: Existe uma psicanálise Brasileira?
Decidimos manter o nome do grupo como uma pergunta porque entendemos que construir uma resposta a ela exige um pensamento crítico complexo, profundo e sob a nossa perspectiva, também coletivo.
A pergunta foi formulada inicialmente dentro do GT Matrizes Clínicas e uma vez apresentada ao departamento, instigou a reflexão de muitos psicanalistas.
Este questionamento proporciona dúvidas e nós as entendemos como bastante saudáveis, uma vez que a proposta do grupo é justamente pensar o tema por diversos aspectos: temos uma matriz teórica que poderíamos dizer ser Brasileira? Temos manejos clínicos (ou traços técnicos) que poderiam apontar determinadas características da nossa cultura? Escutamos os nossos pacientes de um lugar comum, por sermos brasileiros? O que nos diferencia, enquanto psicanalistas, dos colegas de outros países? E o que nos aproxima (e ainda assim, nos diferencia) enquanto Brasileiros de raças, classes, regiões e origens diferentes em um país de proporções continentais? A história do Brasil nos afeta? Se sim, como? Se não, como não? Parte da psicanálise, em terra Brasilis, ao se afiliar ao mito da democracia racial teria corroborado para uma psicanálise sem corpo? A diversidade racial, ou a corporeidade que indica diferentes territórios é ou não é contemplada pela psicanálise? (Klein e Andrade, 2025). Estas são algumas das dúvidas que fazem parte do que o grupo se propõe a discutir.
Na revista Percurso 20, em 1998, Miriam Chnaiderman escreveu que "Há, sim, uma psicanálise brasileira. Há um caminho próprio já percorrido, com as marcas de uma história que é nossa". Se ela estiver certa (e certamente ela estará para alguns, mas não para todos), qual o caminho da psicanálise "no e do Brasil" desde que a sua prática por aqui foi iniciada? Que marcas seriam estas, decorrentes da nossa história?
O grupo se propõe a trabalhar de forma horizontal e organizar seus estudos e pesquisas por mídias diversas: textos, áudios, filmes etc que entenda como interessantes para a construção das suas conversas e discussões.
O ponto de partida para as nossas reflexões foi composto por 3 obras: i) o texto da própria Miriam publicado na Percurso 20, acima citado; ii) o livro "Psicanálise à Brasileira" (organização de Fernanda Canavêz e Joel Birman, Editora Devires, 2024) e o filme "Virgínia e Adelaide" (Jorge Furtado e Yasmin Thayná, 2025). A partir daí construiremos o nosso percurso em conjunto, contemplando as referências, experiências e percursos dos seus integrantes.
Encontros
Nossos encontros são mensais, sempre na primeira sexta-feira do mês, das 16h às 18h, no formato on-line, possibilitando a participação de psicanalistas de diversas regiões do país. O primeiro encontro ocorreu em dezembro de 2025.
Integrantes
Adriana Novais, Ana Carolina Vasarhelyi, Andre Bizzi, Anne Egidio, Cristina Lopergolo, Daniel Rodrigues Lírio, Eva Wongtschowski, Francisco Alves, Juliana Farah, Lucila de Jesus, Luisa Godoy, Marcelo Lábaki, Marcelo Vial, Marcia Eugenia Cerdeira, Maria Aparecida Pinto, Mariana Melaré, Marina Bialer, Maristela Vendramel Ferreira, Patricia Ferreira de Andrade, Renata Arouca de Oliveira Morais, Susana Carrillo Le Roux, Valdira Penedo, Vanessa Tonon Calderelli.
Coordenação:
Anne Egídio (annegidio@hotmail.com), Marcelo Lábaki (marlago@usp.br) e Marcelo Vial (marcelo.vial@gmail.com)
Interlocutora
Eva Wongtschowski (evawongtschowski5@gmail.com)
Articuladora da Área de Formação Contínua: Anne Egídio